segunda-feira, 1 de julho de 2013

PERDER UM BEBÉ...

Não consigo precisar qual das dores dói mais: se a física ou se a psicológica.
Estou a escrever este texto,  a abrir um capítulo muito privado da minha vida, porque acho que faz sentido. Porque muitas mulheres passam ou passaram pelo mesmo que eu e porque também eu tenho procurado conforto e algumas respostas em blogs espalhados por todo o Mundo. Por isso percebi como é importante o meu testemunho, o meu contributo.
Não sei se há alguém aí desse lado a ler-me neste momento. Muito menos sei se alguma de vocês está, ou esteve, na mesma situação que eu. É daquelas coisas que achamos que acontecem sempre às outras. Às amigas, às amigas das amigas... Achamos que de alguma forma a nossa vida segue sem termos de passar por uma provação destas e, mesmo que passemos por isto, não será nada de mais. É um aborto. Passa. Mas afinal não é bem assim.
Tenho lutado por pensar que nada disto me afectou psicologicamente. Sou forte e, para além disso, tenho uma filha linda, maravilhosa e perfeitamente saudável. Se fosse o primeiro (pensei eu) aí sim seria muito doloroso. Guess what?? É doloroso na mesma. E não tou a falar da dor física da recuperação.


Faz hoje precisamente 10 dias que fui parar ao hospital. Faz hoje precisamente 10 dias que abortei. Faz hoje precisamente 10 dias que quase me esvaí em sangue. Faz hoje precisamente 10 dias que me submeti a uma curetagem de emergência. Faz hoje 10 dias que passei por aquilo que achei que nunca iria passar.
Estávamos a tentar dar um mano/mana à Nô há 1 ano. Quando engravidei dela foi tudo tão fácil! Porque é que não haveria de ser também agora? A Nô foi super planeada. Deixei de tomar a pílula em Julho, em Setembro começámos a tentar e em Outubro engravidei. Tive uma gravidez normalíssima com tudo o que tive direito: o bom e o mau. Pele maravilhosa, cabelo sedoso, unhas mais fortes, engordei só o necessário, não tive desejos... Mas tive uma ciática, enjoos, azia, gastroenterites, infecções urinárias e risco de parto prévio. No final tudo correu bem: fiz cesariana (como desejei), não tive complicações e a Nô nasceu perfeita! Porque é que não haveria de repetir a dose? Porque não é assim que as coisas funcionam e não acontecem só porque queremos. Infelizmente.
Depois de 1 ano de tentativas falhadas, de muitos testes negativos, deixei de me preocupar com isso. Fosse o que Deus quisesse! (E eu não sou lá muito católica) Mas cá dentro pensava "Mas que raio se passa comigo?? Será que já não sou fértil? Será que já sou velha e deixei passar muito tempo? Será que tenho uma doença e não sei?"
Passaram-me milhentas coisas pela cabeça até que deixei de pensar nisso. E aconteceu. Andava a estranhar a falta da menstruação mas pensei que fosse da ansiedade, do nervoso miudinho por não conseguir uma coisa que me parecia tão fácil. Também estava doente, com gripe, e isso podia afectar o meu ciclo menstrual. Pelo sim pelo não, não tomei qualquer medicação para a gripe. Quem disse que as mulheres não têm sexto sentido?? Arranjei coragem e fiz outro teste. BINGO!!! Positivo!!!! "Não, não pode ser... Vou fazer outro." TRAU!! Vai buscar! Felicidade. Foi isso que sentimos, eu e o Gil, abraçados um ao outro, ainda incrédulos por não estarmos nem aí. Só fiz o teste por descargo de consciência. Ainda não acreditava. Contámos aos meus pais e à Mãe dele e, por precaução, explicámos à Nô que finalmente tínhamos conseguido plantar a sementinha mas que agora tínhamos de dar-lhe muitos miminhos para crescer. Queríamos tanto que ela fizesse parte desta nossa felicidade, até porque ela é quem mais queria ter um mano. Sempre com o sexto sentido a funcionar preveni-a de que a sementinha tanto podia crescer como não crescer mas que isso não dependia de nós. É a natureza a funcionar. Tanto pode acontecer como não acontecer mas, lá no fundo, queria tanto que acontecesse.... Mal sabia eu que esta preparação para o pior também estava a servir para mim.


Fomos ao meu ginecologista/obstetra, fiz um exame geral, fizemos as contas e estava de 7 semanas. Próximo passo: análises e eco das 8 semanas.
Durante essa semana em que tive de esperar pela ecografia senti-me sempre mal. Muitas cólicas, sono, mal-estar, barriga inchada, perdas de sangue e a sensação de que algo não estava bem. O Gil, com a sua calma e optimismo, dizia-me pra não me preocupar, que devia ser normal, que cada gravidez é uma gravidez mas eu insistia que não me sentia nada bem.
Segui o meu instinto (sexto sentido ou lá o que é) e uns dias antes da eco fui à urgência do hospital muito aflita.
Tenho gravada na memória a cara da médica quando me disse "Receio não ter boas noticias para si." COMO???? Senti-me tonta, a minha pulsação desceu, os meus olhos encheram-se de lágrimas. "Como assim Doutora?"....
Disse-me que não conseguia ver o embrião mas que tinha um saco embrionário muito grande, cerca de 20mms, o que era estranho. Chamou outra médica. Diagnóstico: gravidez anembrionária*. WHAT THE HELL?? Nunca tinha ouvido falar naquilo.
Fui pra casa. Completamente na merda. Fui à net pesquisar. 


Liguei ao Gil e contei-lhe. Chorámos os dois ao telefone. Liguei logo de seguida ao meu médico. Aconselhou-me a esperar mais uma semana e depois fazer nova eco. Não fui capaz. Era doloroso demais. 2 dias depois fui ao hospital novamente fazer um exame mais pormenorizado. Diagnóstico: embrião demasiado pequeno (daí a outra médica não o ter conseguido ver) que morreu às 5 semanas. Ou seja, quando descobri que tava grávida já o embrião não estava vivo há 2 semanas. Novo choque. E agora???? "Afinal tenho um bebé morto dentro de mim." Sei que é estranho pensar assim mas foi assim que pensei. Isso não me saía da cabeça. O bebé que eu tanto queria estava dentro de mim. Morto.
Liguei novamente ao meu médico. Nada a fazer. Tinha de esperar até abortar naturalmente. Não. Foi demasiado para mim. "Esperar???! Mas como se tenho "isto" morto dentro de mim?? Vou andar assim na rua? Com toda a gente a olhar para mim?" Eu sei que pode parecer estúpido mas eram estes pensamentos que não me saíam da cabeça.
Fiquei a saber ainda que o aborto ocorre quando o embrião morre, ou seja, eu já tinha abortado. Agora tinha de esperar pela expulsão, que é quando o corpo expulsa o embrião e a placenta ou saco embrionário.

Saí do hospital mais na merda ainda. Só queria tirar "aquilo" de dentro de mim.
Passei 1 mês inteiro à espera de que alguma coisa acontecesse. Tentei fazer a minha vida normal, não pensar no assunto mas era impossível. Só queria que tudo acabasse. Andava deprimida, sem vontade de fazer nada. Nem sair, nem comer, nem falar, nem rir, nem nada! Falei com as minhas amigas mais próximas, que sabia terem passado pelo mesmo e não há muito tempo. 


- A D. descobriu que tinha abortado na eco das 12 semanas. O médico dela deu-lhe um comprimido abortivo e 2 dias depois aconteceu a expulsão. Teve de fazer uma curetagem** mas correu tudo bem. Pronto.


- A I. abortou espontaneamente da 1ª vez às 5 semanas. Hemorragia normal, expulsou tudo e voltou ao normal. 1 mês depois voltou a engravidar mas abortou às 12 semanas. Expulsão mais complicada com maior sangramento mas sem necessidade de curetagem. Entretanto descobriu que tinha uns caroços, foi operada à barriga e poucos meses depois engravidou mais uma vez e está quase a ter uma Madalena.


- A J. abortou espontaneamente umas 4 vezes antes de engravidar da Salomé (que tem agora 4 meses) e fez várias curetagens porque não expulsou tudo sozinha.


Portanto eu estava cercada de casos diferentes mas que me poderiam ajudar com a minha situação. No entanto, nada me prepararia para o que aí vinha. E, minhas amigas, confiem sempre no vosso instinto mesmo que as pessoas à vossa volta vos digam o contrário.
Estive cerca de uma semana com um corrimento estranho, meio acastanhado e pensei "Boa! Está a acontecer." Continuava com dores de barriga, ligeiras, mas sentia que alguma coisa estava, de facto, a acontecer. Queria que acontecesse. Fiz as contas. Estava quase a fazer as 12 semanas. Fiz nova eco na esperança de que já tivesse expulsado alguma coisa. Nada! Continuava tudo cá dentro: o saco embrionário e o embrião. Morto.
Saí do hospital a chorar mais uma vez. "Porquê??? Mas porque é que o meu corpo não reage e não cospe "isto" de uma vez por todas?" Pedi tanto a Deus (ou alguém lá em cima) para que o meu corpo expulsasse "aquilo". Coincidência ou não, nesse mesmo dia comecei a perder sangue. Tipo menstruação, nada de alarmante. Estive 4 dias assim até que, na véspera de entrar na semana 12, comecei a ter contracções e desatei a perder sangue loucamente. Saíam bocados de dentro de mim. As dores tornavam-se insuportáveis e eu cada vez mais fraca. Liguei à minha Mãe (que também já tinha passado por isto) e do outro lado ouvi uma voz calma, doce mas preocupada, que dizia que era perfeitamente normal. Estava em trabalho de parto para expulsar o embrião que teimava em não sair do meu corpo. Estive 6 horas sentada na sanita a perder sangue como nunca pensei ser possível. Não aguentava mais, o meu corpo não aguentava mais, o sofrimento era demasiado e eu sentia que aquilo não era normal. Não podia ser normal. E quando é que acabava?? Nunca??? Senti-me a desfalecer e pedi ao Gil para irmos ao hospital. Já não saí de lá. Estava muito desidratada, fraca, tinha perdido muito sangue mas continuava com tudo cá dentro. Sofri um aborto retido.

A médica de serviço nem hesitou: curetagem de emergência antes que caísse para o lado. Não imaginam o alivio que foi ouvir aquela frase. Finalmente ia ficar livre deste pesadelo!!!

Mais análises, preparar a sala de partos e aparece a médica anestesista. "Vamos prepará-la para uma anestesia geral." As lágrimas começaram a escorregar pela minha cara. Um dos meus maiores pânicos: anestesia geral. "E se corre mal? E se não acordo?" Vinda do céu ouvi uma pergunta "Há quanto tempo é que comeu?" Ainda nervosa e com os olhos cheios de lágrimas respondi que tinha comido um queque há cerca de 3 horas. A anestesista olhou pra mim com desânimo e exclama "Assim não podemos fazer anestesia geral.. tem de estar pelo menos 8 horas sem comer. Temos de fazer uma raqui." ENA!!!! Bendito queque. Boas notícias no meio disto tudo! A anestesia raquidiana*** (mais conhecida como raqui) é tipo epidural, local e ficamos acordadas durante todo o processo.
Fiquei mais tempo à espera do resultado das análises do que o tempo da cirurgia (sim é uma raspagem e aspiração mas é considerada pelos médicos como uma cirurgia porque, de facto, o é. Existe uma intervenção cirúrgica em que se recorre a anestesia.) Estive meia hora na sala de partos. Entre a anestesia, a cirurgia e ir para o recobro passou cerca de meia hora. Depois estive cerca de 1hora e meia no recobro e fui finalmente para o meu quarto. Até recuperar totalmente a sensibilidade nas pernas foram umas belas 4 ou 5 horas mas estive sempre acordada e isso foi o mais importante para não ficar mais nervosa e ansiosa do que já estava. 

O Gil esteve sempre comigo: na consulta, no quarto, no recobro.... só não pôde entrar na sala de partos, óbvio, e parecendo que não, este apoio é fundamental para a mulher. Mas não só. Também o é para eles, os Pais, que estão a sofrer tanto ou mais que nós. Para nós, enquanto casal, foi muito importante e toda a equipa da CUF Descobertas foi magnífica. As enfermeiras e auxiliares foram tudo aquilo que eu mais precisava na altura: eficientes, atenciosas, meigas, carinhosas... de certa forma maternais mesmo. Não tenho palavras para lhes agradecer. Ou então tenho: OBRIGADA. DO FUNDO DO CORAÇÃO.

Agora é descansar (principalmente a cabeça), pensar em coisas boas, tentar fazer coisas que me dêem prazer, alimentação saudável e receber muitos mimos dos meus amores. Curiosamente, apesar de ter escrito este texto e de ter servido para desabafar, não me apetece falar muito sobre o assunto. Escrever consigo mas falar não... curioso, não é? Sempre ouvi dizer que escrever é terapêutico e não é que é mesmo?? Claro que não controlo um sentimento de tristeza de cada vez que vejo uma grávida mas isso faz parte da terapia pós-aborto. Inverter esse sentimento de perda, de angústia e seguir em frente.

Arrojinha*


* A gravidez anembrionária (ou anembrionada) acontece quando, ao fazer uma ultrassonografia, no primeiro trimestre da gravidez, o saco gestacional aparece vazio, sem embrião dentro. É o chamado "ovo cego", ou seja, o óvulo fertilizado implantou-se no útero, mas o embrião não se desenvolveu. 
Esse tipo de gravidez pode acontecer com qualquer mulher, e a maioria delas consegue ter gestações normais depois. 
Pode não haver nenhum sinal, como dor ou sangramento, de que a gravidez não está se encaminhando como deveria. Os hormônios podem fazer a mulher se sentir ainda grávida, embora às vezes os níveis comecem a cair, diminuindo as mudanças no corpo (os seios podem ficar menos sensíveis, por exemplo). Geralmente, a mulher só fica sabendo que algo está errado quando passa pelo primeiro ultrassom
Apesar de as causas não serem totalmente identificadas, a gestação anembrionária costuma ser considerada um acidente da natureza. Quando um óvulo é fertilizado por um espermatozóide, as células começam a se dividir. Algumas se desenvolvem em forma de embrião, outras em forma da placenta e do saco gestacional.
Em alguns casos, a parte do óvulo fertilizado que deveria se tornar o bebê não vai para a frente (provavelmente porque aconteceu um erro durante a fertilização e há cromossomos demais ou de menos), mas a que se destinaria à placenta e às membranas continua crescendo dentro do útero. 
O corpo não reconhece que o saco gestacional está vazio, já que os hormônios da gravidez ainda estão sendo produzidos (o que impede que haja um aborto espontâneo). 
Durante a ultrassonografia, o médico mede o saco gestacional e procura sinais do embrião. Se o saco gestacional medir mais de 20 mm e não houver indícios do embrião, o diagnóstico provavelmente será de ovo cego.
(IN http://brasil.babycenter.com)

** "A curetagem é uma raspagem no útero feita com um instrumento cirúrgico chamado cureta, que nada mais é do que uma colher vazada no meio. 
Entretanto, mesmo que não se corte nada, é uma cirurgia, e assim deve ser encarada, porque frequentemente inclui anestesia, medicação anestésicas e analgésicas, e pressupõe uma preparação e resguardo. 
A aspiração é a mesma coisa, porém usa um outro aparelho, que é o aspirador, que se assemelha a um aspiradorzinho de pó, com pressão negativa. 
Eu gosto de chamar de cirurgia para que as pessoas não se iludam pensando que nenhum tipo de preparo é necessário e que nenhuma espécie de desconforto e/ou risco está relacionado. Prefiro dar a dimensão mais exata do que se trata."  (Médico obstetra Ricardo)

Ele prefere deixar a natureza agir e expulsar qualquer resíduo que ainda exista no útero: "Eu vejo que quando esse processo ocorre sob o controle das pacientes (no caso de aguardar uma expulsão espontânea) existe uma probabilidade maior de que o evento seja incorporado como experiência positiva para essa paciente e pelo seu círculo íntimo de relação". 

Porém, muitas mulheres se submetem à curetagem pois a espera da expulsão espontânea pode ser, segundo elas, um processo demorado e desgastante emocionalmente, tendo em vista a perda de um filho. Em algumas situações não há o sangramento expulsivo, sendo necessária a curetagem. 


*** raquianestesia, também chamada de bloqueio subaracnóideo ou anestesia raquidiana, é o nome dado para a anestesia decorrente da aplicação de um anestésico local no interior do espaço subaracnóideo.
Este procedimento leva ao bloqueio nervoso reversível das raízes anteriores e posteriores, dos gânglios das raízes posteriores e de parte da medula espinhal, resultando em perda da atividade autônoma, sensitiva e motora. A raquianestesia é indicada para cirurgias na região abdominal e extremidades inferiores, sendo muito utilizada em cirurgias obstétricas (parto normal e cesariana).
Uma vez que a anestésico é introduzido no líquido cefalorraquidiano  (líquor), para que a anestesia seja eficiente, é necessária somente uma pequena quantidade de anestésico local, sendo que esta é uma das grandes vantagens da anestesia raquidiana quando comparada com a peridural, pois, deste modo, o risco de uma intoxicação por anestésicos locais é quase nulo.
No entanto, este tipo de anestesia apresenta algumas desvantagens, sendo que a mais evidenciada é a cefaléia pós-punção (dor de cabeça causada em seguida à perfuração da dura-máter). Acredita-se que este sintoma seja causado pela diminuta abertura (“furinho”) que persiste por alguns dias na dura-máter após o procedimento anestésico, provocando perda de líquor do espaço subaracnóideo.
Com o uso de agulhas de menor calibre e, consequentemente, menos traumáticas, esta técnica ganhou força, pois a incidência de cefaléia pós-punção reduziu consideravelmente com a utilização do novo material.

34 comentários:

  1. Olá Arrojinha,
    Nunca fui mãe, mas tendo uma mãe que teve 4 abortos antes do nascimento da minha irmã e do meu, reconheço a dor, que a minha mãe relata passados já cerca de 30 anos... Por isso e tal como ela diz, Deus providenciará, e vos trará a felicidade quando não menos esperarem, o que é preciso é não desanimar! Beijinhos e uma boa recuperação para ti e força para todos!

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  2. Respostas
    1. De nada! Foi de coração, porque apesar de não nos conhecermos, acho que todos os que todos os dias "lemos a tua vida", acabamos de alguma maneira ligados... E ficamos radiantes ou tristes contigo! Por isso segue em frente e melhores dias virão. :)

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  3. Tenho alguns casos na família parecidos ao teu. Mesmo assim força Arrojinha, estamos contigo :D

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  4. Olá Arrojinha!
    Já nos cruzamos por uma pérola da minha pequena e trocamos mensagens; passei, antes da Sofia por algo muito igual, dói muito... dei por mim tempos depois a mudar de imagem, tentar esconder a dor por que passei, em vão...
    É um luto que temos de fazer; acontece, não percebemos porquê e pior ainda quando esperamos e desesperamos por um ser maravilhoso como de resto serão sempre os nossos filhos.
    Passa, acredita que sim, mas nunca esquece, hão de haver lugares, coisas e situações que nos fazem lembrar o trauma, mas adivinha...em dada altura tudo isso nos dá forças para voltar a tentar; erguemo-nos de novo e vamos à luta!
    Passei duas gravidezes de risco após o aborto (retido), tenho as duas luzes mais lindas da minha vida, não foi fácil, mas hoje olho para trás e penso "Fui uma grande mulher!", vou agora tentando "confortar" a dor de outras que de resto entendo tão bem...
    Muita força, muito mimo, e rápidas melhoras.
    Beijinho no <3 (que sei que está despedaçado)...

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  5. Boa Noite Arrojinha, lamento muito saber pelo mau momento por que estás a passar.
    só te quero desejar muita força e que tudo te corra bem, és uma Mulher forte e sei que vais conseguir ultrapassar este momento menos bom na tua vida.
    foi uma partida que te pregaram e vais ultrapassá-la com esses amigos e família unida e fantástica que tens :)
    um grande beijinho e muita força para toda a tua família e principalmente para ti!
    Não desanimes!

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  6. Muita força! Eu demorei 3 anos a engravidar da minha segunda filhota, apesar da primeira ter sido fácil. Não passei por nenhum aborto nem consigo imaginar como será. Desejo que tudo corra pelo melhor daqui para a frente.

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  7. Sou pai e felizmente não sei o que isso é. Só posso desejar as rápidas melhoras e pensa na relação forte que efetivamente têm... bj

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  8. Beijinho grande Arrojinha e muita força. Não consigo imaginar o que estas a passar mas sei o que é desejar muito ter um filho. à quase 3 anos que tento engravidar e não consigo. Andei novamente a fazer exames e amanhã tenho nova consulta. É um misto de emoções. Beijinho

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  9. De facto n tem sido fácil mas agora ja estou mais conformada... Sei q posso ultrapassar mas esquecer nunca! É impossível.
    Obrigada a todos e espero ter ajudado alguém desse lado :)

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  10. Arrojinha não sabia...
    Um beijinho grande e rápida recuperação!
    <3

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  11. Força Arrojinha! Que recuperes rápido! beijo grande

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  12. :( não dá para escrever outra coisa senão :( ... foi assim que me senti quando li o que escreveste aqui. Palavras de ânimo,posso dizer, mas acho que nesta fase,por muitas palavras que se digam nunca vão preencher o vazio que se deve sentir. Por isso, se te alivia, escreve,escreve muito, porque para além do teu corpo ter que recuperar do tombo que levou,também a tua cabeça tem que se pôr em ordem. <3

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  13. Entendo mais que perfeitamente, e hoje 8 anos depois tambem nao falo do assunto.
    Beijo grande

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  14. Meu deus... como me revejo tão bem... Faz a 13 de Julho de 2013 que tive o meu príncípe saudável depois de uma gravidez normal (coisas boas e menos boas)...decidi à poucos meses dar um mano/a ao meu menino e aconteceu...Para felicidade de todos lá aconteceu e o primeiro a saber foi o meu menino que me "apanhou" a fazer o teste e contei-lhe logo...Andava doido de felicidade, contava a toda a gente... Nunca eu pensei no que viria a acontecer... Por volta das 11 semanas fui às urgências, achei que havia algo de errado, (6º sentido)... A Drª faz a eco e tinha um enorme saco mas já tinha morrido por volta das 7 semanas...Uma enorme tristeza caiu sobre mim... Chorei desalmadamente e tinha uma enorme preocupação...Como contar ao meu filho? Como iria ele reagir... Fiz um aborto retido e andei 6 dias a "colocar" os comprimidos lá no sítio para expulsar "aquilo" que tanto desejei... Tem sido mt difícil mas penso no filho maravilhoso e saudável que tenho e, que preenche o coração como nunca imaginei ser possível! Agradeço o carinho e a dedicação dos médicos e enfermeiros que me acompanharam e o apoio dos meus homens lá de casa...
    Vou tentar novamente pois não desisto!
    Arroja, desejo-te muita força e o que tiveres que chorar, chora pois torna a "cura psicológica" bem mais rápida... Um beijinho enorme...

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  15. Arrojinha, a minha gravidez foi muito desejada mas nada fácil. As primeiras semanas foram as mais longas da minha vida.Semanas de ecos e esperas para ver se desenvolvia e se o coração que devia bater não batia. Já para não falar nas perdas que tinha... uma ansiedade e uma dor de não acreditar que isso estava acontecer (depois de tanto tempo à espera por aquela benção).Foi o pior Natal e Passagem de Ano das nossas vidas.
    Felizmente o coração bateu e agora tem 3 anos.
    O sentimento da real perda não sei como é mas sei que deve ser um lugar nada recomendado a quem tem um coração a bater no peito.
    Palavras são mesmo isto, só palavras mas só posso dizer que tenhas muita força e que principalmente te rodeies de quem te ama muito. O tempo, esse (dizem) que é um bom amigo. Beijinhos grandes

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  16. Olá Ana
    Escrevo porque fiquei bastante sensibilizada com o teu testemunho.
    Sabes, olhamos para ti, como uma pessoa sempre bem-disposta, de bem com a vida, aquela a que nada afecta, (contrariedades de uma Figura Pública, acabamos sempre por tirar as nossas própria ilações sobre a pessoa.) mas a verdade é que és como a comum das mortais, sofre e sente o que todos sentimos, com mais sorrisos que muitos, mas sentes.
    Não posso avaliar pelo que passas, não sou mãe, ainda não sinto esse desejo, mas posso avaliar o sofrimento do que é perder algo que já tínhamos como nosso.
    Um beijinho muito grande com toda a força do mundo.

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  17. Arrojinha, tenho as lágrimas a correr pela cara abaixo depois de ler este teu desabafo! O meu 6º sentido dizia-me que alguma coisa de grave se teria passado contigo, pelas mensagens que deixaste no facebook, mas nunca imaginei o quê!
    Neste momento, só quero deixar-te um beijinho carregadinho de muito mimo e muita força na tentativa de conseguir aliviar-te dessa dor!
    Lembra-te que o que não nos mata, torna-nos mais fortes e tu já eras uma mulher cheia de força, por isso só podes sair disto ainda mais forte!
    Beijos, beijinhos e beijocas cheias de miminhos para ti!

    Maura

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  18. Muita força Ana e Gil. Beijinhos para ti, para o teu marido e Nônô

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  19. Olá Arrojinha
    Fiquei comovida ao ler este texto lindo e triste ao mesmo tempo.
    Muita força e isso eu tenho acerteza não vai faltar á amiga que tem ao lado uma família linda e maravilhosa.Este episódio menos bom vai passar e vão surgir lindos episódios que dia a dia vão fortalecer a Arrojinha e deixá-la novamente a sorrir para que nós possamos sorrir também.
    BJOKAS GRANDES

    PAULA SILVA

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  20. Percebo-a perfeitamente. Em 2008 a minha primeira gravidez resultou num aborto retido. Nunca consegui aceitar e ultrapassar e ainda hoje me custa falar nisso.
    Tenho dois filhos maravilhosos com 4 e 2 anos mas aquela primeira gravidez que não resultou nunca me vai sair do pensamento e desgosto acho vai sempre acompanhar-nos.
    Força.

    Luisa Martins

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  21. Uma bjoka gigante nesse teu bondoso coração e um abraçinho apertadinho Ana.

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  22. Arrojinha, revi me tanto nas tuas palavras... ha um mes atras tambem eu sofri um aborto espontaneo... era uma gravidez desejada e planeada. Tambem sofri bastante fisicamente, fiquei muito debilitada mas gracas a Deus, o meu organismo ja esta a recuperar se, melhor do q eu estava a espera :) tambem ajuda muito ter um homem lindo por fora e por dentro q tem me dado mt apoio e miminhos, de seu nome Ru. tenho fe q vou conseguir dar a volta porq e ns piores momentos q vamos buscar forcas pra nos levantarmos de novo, e tens tda a razao escrever e das melhores terapias q existem, tb nao gosto muito de falar no assunto, mas escrever ajuda me e muito. Tu vais conseguir dar a volta porq es uma menina linda com um coracao enorme e bom. muita forca, nos estamos aqui ctg. BJinho grande e abraco forte

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  23. 13 de fevereiro de 2013, estava a ser um dia normal. Eco das 12 semanas marcadas, finlmente ia ver o ser desejado que crescia dentro de mim... A expressão da médica ao fazer a eco deixou-me tão nervosa que comecei a ter um ataque de pânico... " a sra. teve um aborto retido" disse-me ela... eu tremia como uma vara verde... ela tentava acalmar-me diendo "foi o 3° caso hj"..."acontece muito na 1° gravidez"... bla bla bla. Eu queria lá saber dos outros, estva era a acontecer cmg.
    14 de Fevereiro de 2013 - ida ao médico. Foi muito atencioso, conversámos um pouco sobre o que era um aborto retido explicando que acontce quando o embrião não encontra as condições ideais para se desenvolver e morre mas o nosso corpo continua a comportar-se como se ele istevesse a crescer...(isto por palavras muito simples)... afinal abortei às 6 semanas ainda antes de ter feito o teste de gravide que deu positivo... Caricato...
    O médico passou-me uma carta para Ir às urgências onde fui acompanhda por um equipa espectacular... vim a saber que eramos 5 mulheres a passar pelo mesmo...
    Introduziram-me uns comprimidos junto ao colo do útero que iriam provocar a expulsão do embrião. Avisaram-me que ia sentir nauseas, vomitos, diarreia, dores abdominais, febre... tive isso tudo. Apos 3 horas comecei com umas dores que nao conseguia entender ou suportar e graças a Deus que me deram um analgésico. Uma hora depois ainda não sangrava e colocaram-me mais 4 comprimidos... Adormeci... após 3 horas a ginecologista veio ter cmg e acordaram-me para ver como estava... sentia-me húmida e então apercebi-me que tava com hemorragia. Afinal era esse o objectivo! Larguei muito sangue e tive alta. Explicaram-me que iria expulsar o embrião dentro de 2 ou 3 dias e foi o que aconteceu. Voltei ao hospital uma semana depois e o dr. fez-me nova ecografia e disse-me que estava tudo bem. O meu corpo expulsou tudo, estava td bem como o meu utero e ovários. Aconselhou-me a aguardar 3 meses antes de voltar a tentar engravidar. Ainda não voltei a tentar, não estou preparada... ainda.... mas quero muito.... mas tenho medo... de Passar por tudo de novo....
    Cada caso é um caso e temos de viver o nosso e tentar ultrapassá-lo da melhor maneira que conseguirmos...
    Força Ana e restantes mulheres... não acontece só connosco...
    Beijinho

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  24. Adoro ouvir-te na rádio...és terna e calorosa...e lamento imenso saber que passaste por essa aventura que ninguém devia passar.. Não sou mãe, hei-de ser, se Deus quiser, e desejo-te tudo de bem e que possas ainda dar um mano ou mana super saudável à Nô! Um beijinho e que fiques aí prás curvas bem rápido.

    Sílvia
    www.nomundodesilvia.blogspot.pt

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  25. Ola Ana
    Eu também passei pelo mesmo, eu e o meu marido estavamos todos contentes com o nosso primeiro bebé, muito desejado. Estava perto das 15 semanas, tudo parecia correr bem. Dia 15/12/2008, tinha a primeira ecografia marcada para o inicio da tarde, nesse dia estava a trabalhar e tive um pequena perda de sangue, mas como tinha a eco marcada dali a umas horas pensei que logo veria o que se passava.
    Quando cheguei à clínica para fazer o exame disse ao médico o que me tinha acontecido umas horas antes, ele disse que já iríamos ver se era caso de repouso ou se teria de ir a uma urgência.
    Lá me deitei na marquesa, tinha um televisor à minha frente para ver a eco, quando reparo que no sitio dos batimentos cardíacos, eles não existiam! Entrei em pânico! Comecei a chorar desalmadamente. O médico mandou-me de urgência para a maternidade Júlio Diniz, com o resultado do exame numa carta fechada.
    Quando cheguei já tinha à minha espera uma enfermeira parteira, já preparada com um discurso próprio para me acalmar. A mãe natureza pregou-me uma partida, o meu embrião já não vivia, não tinha batimentos cardíacos. Mas nada me reconfortava naquela hora. Só pensava "Porquê a mim? Se há tantas mulheres que fazem o aborto de propósito!"
    Fiquei internada logo, uma noite, numa enfermaria sozinha, com o relógio da parede a contar as horas. De hora em hora ia à casa de banho com perdas horríveis de sangue, efeito da medicação que me deram para o meu corpo expulsar o embrião.
    Na manhã seguinte, a médica examina-me e diz que o meu corpo não conseguia expulsar e então fui submetida à chamada"raspagem"! Doloroso o acordar, com choro de uma bebé a passar à minha frente.. Porquê!!!
    Na consulta posterior ao aborto, o médico disse que estava tudo bem comigo, fui apenas mais uma mulher em que a primeira gravidez não foi conseguida até ao final. Disse para esperar 3 meses e voltar a tentar.
    Assim foi e VOILÁ! Engravidei novamente, com algum medo, claro, mas correu tudo bem. A minha Diana é perfeita! A minha menina, é o meu maior tesouro!
    Mesmo já tendo passado alguns anos, nunca esquecerei o que passei. Marcou toda a minha vida e aí vi o quanto sou forte!
    E tu também o és, grande e forte!
    Acho que quem passa por esta situação precisa de exorcizar, conversar e partilhar. Por isso não estas sozinha!
    Bjs e força

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  26. Um enorme beijinho e muita força!*

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  27. Não consegui ler o texto sem deitar uma lágrima, fiquei sem reacção, sem palavras.. Quando soube que estavas no hospital (através do teu FB), nunca pensei que fosse algo desta dimensão! Só quero deixar-te um BEIJO enorme, cheio de força, de carinho e amor!!

    Força Arrojinha! <3

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  28. Olá Arrojinha.

    Infelizmente acontecem estas coisas muito mais do que pensamos. E não imaginamos que aconteçam tantas vezes no final da gravidez. Eu só tive noção da quantidade de mulheres que perdem os seus bebés no terceiro trimestre quando perdi o meu menino às 36 semanas. É uma dor insuportável que só o tempo suaviza. Foi um bebé difícil de conseguir, mas uma gravidez maravilhosa (fora a azia). Foram os melhores tempos da minha vida. Neste momento passaram 6 meses e ainda dói muito, mas penso que o tempo irá ajudar.
    Existe uma associação chamada Projecto Artémis onde poderás ter apoio, e falar com mulheres que passaram pelo mesmo. Se precisares de escrever ...

    Desejo que te recuperes, muita força!

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  29. Obrigada a todos pela força.
    Já estou praticamente recuperada, se bem q ainda c algumas restrições... psicologicamente tou a tentar, a sério q tou. E hei-de conseguir ultrapassar.

    Beijo em todas vocês q tb partilharam as vossas experiências. Há realmente casos bem piores que o
    meu, infelizmente :(

    Beijos arrojados*

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  30. Força, Arrojinha.
    Nada de desistir :)
    Beijinhos

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  31. As tuas palavras são-me tão familiares!!

    Eu não tenho filhos e este último ano tem sido uma luta sem nome....

    Há um ano atrás, precisamente na sexta feira dia 13 de julho, passei por algo que nunca teria imaginado passar.

    Uns dias antes, tive o meu período normalmente mas estranhamente não me senti em forma. Fui às urgências e aí anunciaram-me que estava grávida e das duas uma, ou era muito cedo (porquê, não entendi...) ou tinha abortado.

    Bem, nem imaginas a mistura de sensações que foi: uma autêntica alegria por estar grávida mas ao mesmo tempo bastante alarmada pois se calhar era mesmo um aborto.

    3 dias depois, senti umas dores horríveis na barriga que me impediam quase de andar e decidi que o melhor era ir às urgências com o marido. Resultado: foi o pior pesadelo que alguma vez vivi! Tive que ser operada em urgência por causa de uma gravidez ectópica. Foi um choque mas lá me deixei "levar" para o bloco...parecia um filme...

    Mas o choque foi aumentando, quando, ao acordar, a médica veio ter comigo para me anunciar que tinha perdido a minha trompa direita devido a essa gravidez ectópica....

    Foi um horror. A única coisa que me passava pela cabeça nesse momento era que nunca teria a felicidade de ter filhos...para além das dores físicas e mentais, foi muito difícil recuperar... (para além de que, no regresso ao trabalho, soube que a minha assistente estava grávida do mesmo tempo que eu e cruzar-me com grávidas na rua era a toda a hora....)

    A minha gin decidiu que o melhor era operar-me uma segunda vez (num espaço de 4 meses!) para limpar a fundo (porque como se não bastasse detectaram-me endometriose...) e desde esta 2ª operação, tenho recuperado muito bem e feito "o luto".

    Continuamos a nossa luta e não baixamos os braços embora seja muito difícil engravidar com endometriose e uma única trompa...um ano já passou e esperamos sempre pelo "positivo"...mas infelizmente todos os meses é uma tristeza e ficamos com a dúvida se alguma vez conseguiremos..

    Estava grávida de 6 semanas. Foi a minha primeira (e única) gravidez....

    (loucapormoda)

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